
A morte do jornalista Caíque Verli, repórter da TV Gazeta (ES), aos 33 anos, em 23 de julho de 2026, reacendeu no país uma dúvida que atinge milhões de famílias: como agir diante de uma crise convulsiva? Verli, que era natural de Carangola (MG), fazia acompanhamento médico e tratava crises convulsivas havia alguns meses. Segundo informações preliminares divulgadas pela imprensa, ele teria sofrido uma convulsão em casa e batido a cabeça durante a queda. O caso é investigado pela Polícia Civil, que aponta, até aqui, indícios de causa ligada à saúde.
Mais do que noticiar a perda, este é um momento para informação de utilidade pública. Saber o que fazer, e o que não fazer, nos primeiros segundos de uma crise pode reduzir o risco de lesões e, em alguns casos, salvar uma vida.
O que é uma crise convulsiva
A crise convulsiva é o resultado de uma atividade elétrica anormal e repentina no cérebro. Ela pode se manifestar de várias formas: desde contrações musculares intensas e generalizadas, com perda de consciência e queda, até episódios mais sutis, como um olhar fixo, desligamento momentâneo ou movimentos repetitivos. Nem toda convulsão significa epilepsia, mas crises recorrentes exigem investigação e acompanhamento médico.
Como identificar os sinais
- Perda súbita de consciência, muitas vezes com queda ao chão;
- Rigidez do corpo seguida de movimentos involuntários e ritmados dos braços e pernas;
- Olhar fixo, ausência de resposta ou confusão momentânea;
- Salivação intensa, mordedura da língua ou perda do controle de esfíncteres;
- Confusão, sonolência e cansaço após o episódio (fase pós-crise).
O que FAZER durante a crise
- Mantenha a calma e permaneça ao lado da pessoa até a crise passar.
- Marque o horário de início. O tempo de duração é uma informação decisiva.
- Proteja a cabeça colocando algo macio embaixo (uma peça de roupa dobrada, por exemplo) e afaste móveis e objetos que possam machucar.
- Vire a pessoa de lado (posição lateral de segurança) assim que possível, para evitar que se engasgue com saliva ou vômito.
- Afrouxe roupas apertadas ao redor do pescoço e retire óculos.
- Depois que a crise passar, converse com calma e explique o que aconteceu, pois é comum a pessoa acordar confusa.
O que NÃO fazer
- Não coloque nada na boca da pessoa, nem os dedos, nem colher ou pano. A crença de que a pessoa “engole a língua” é um mito, e essa atitude causa lesões e risco de asfixia.
- Não tente segurar ou imobilizar os movimentos. Além de ineficaz, pode machucar tanto a vítima quanto quem a segura.
- Não ofereça água, comida ou remédios durante ou logo após a crise: o risco de engasgo é alto.
Quando a crise representa risco à vida
Chame imediatamente o SAMU (192) ou leve a pessoa a um pronto-socorro se ocorrer qualquer uma destas situações:
- A convulsão durar mais de 5 minutos ou não parar;
- For a primeira crise na vida da pessoa;
- Uma crise começar logo após a outra, sem a pessoa recuperar a consciência entre elas;
- A pessoa se machucar gravemente na queda, como uma pancada na cabeça;
- A crise acontecer dentro da água;
- Houver dificuldade para respirar ou a pele ficar azulada após o episódio;
- A pessoa estiver grávida ou tiver diabetes ou outra doença de base.
O caso de Caíque Verli chama atenção para um detalhe muitas vezes subestimado: o maior perigo de uma convulsão nem sempre é a crise em si, mas os traumas causados pela queda. Por isso, proteger a cabeça e o corpo é tão importante quanto acionar o socorro.

A palavra de Danilo Palma
Cada vida importa, e é justamente por isso que não podemos tratar saúde como número em planilha nem como palanque de político em ano de eleição. Os profissionais do SAMU e de toda a linha de frente fazem verdadeiros milagres com o pouco que recebem, muitas vezes apesar da máquina pública, e não por causa dela. Eu defendo, há anos, uma gestão séria e enxuta, que combata o desperdício e a corrupção e coloque o dinheiro onde ele realmente salva vidas: no socorro rápido, no atendimento de qualidade, no básico bem feito. Chega de inchaço, de cabide de emprego e de ideologia ocupando o lugar da competência.
O Brasil precisa reencontrar valores simples e sólidos: o respeito à vida desde o primeiro socorro, a valorização da família como primeira rede de proteção, a responsabilidade de cada um por si e pelo próximo, e a fé que nos sustenta nas horas difíceis. Foi assim que fui criado, e é isso que vou continuar defendendo, sem meias palavras. Que a partida precoce de um jovem comunicador sirva para que a gente cuide melhor da vida, todos os dias.
Danilo PalmaComunicador, radialista, empresário e gestor público em Campinas/SP
Este conteúdo tem caráter informativo e de utilidade pública e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de emergência, ligue para o SAMU (192). Informações sobre o caso apuradas a partir da cobertura da imprensa (G1 / TV Gazeta) e de orientações de fontes médicas de referência.